Quando as regras servem pra decretar o meu fim (Cartuchos de Super Nintendo em Anéis de Saturno, Leon Reis, 2018)

por Letícia Batista Nível 1: África com reis e rainhas Nível 2: entrada dos europeus no continente africano Nível 3: Escravidão Nível 4: Libertação dos negros escravizados Nível 5: Ascensão de uma supremacia que odeia negros Nível 6: Segregações Nível 7: “Democracias Raciais” “O antagonista sempre atira primeiro”. Uma fala em off aparece enquanto vemos…

TOUKI BOUKI: O PÓS COLONIALISMO AOS OLHOS DE MAMBETY

Touki Bouki é um conto africano pós colonial. O cineasta senegalês Djibril Diop Mambéty, neste filme, articula essa lógica como poucos. Mambéty talvez seja, junto com o também cineasta e conterrâneo Ousmane Sembene – considerado por muitos o pai do cinema Africano – um dos maiores e mais subestimados talentos do cinema fora do eixo…

BAMAKO: A POLÍTICA ÍNTIMA DAS IMAGENS

  Falar sobre o cinema feito pelo cineasta mauritano, radicado no Mali, Abderrahmane Sissako significa a principio espichar nosso próprio olhar sobre paradigmas construídos historicamente por olhares outros, e dominantes, direcionados à produção africana de cinema, mas que a bem da verdade se prolongam para qualquer cinematografia mobilizada por pessoas negras. O primeiro paradigma está…

O Matador de Ovelhas: trajetórias do não acontecido

Killer of Sheep, dirigido por Charles Burnett e lançado em 1978, é um atestado sobre o quão torturante pode ser a falta de perspectivas na vida de um grupo de pessoas. É, ainda, um retrato familiar que serve de espelho amorfo ao ideário da família tradicional, branca, rica e conservadora. A idéia do limite de…

Janela Int. de Cinema do Recife – 1-Berlin-Harlem

Duas coisas marcam Berlin-Harlem, filme alemão de 1974, dirigido por Lothar Lambert em plena ebulição da metamorfose cultural que, décadas depois, marcaria a capital do país. Há, de saída, a defesa de uma forte tese no filme: as relações multiculturais são antes marcadas pelo julgamento do que pelas relações de câmbio e compartilhamento de experiências….

Janela Int. de Cinema do Recife – A Moça que Dançou com o Diabo

Inicialmente, o realismo como signo de legitimidade prévia é a noção que A Moça que Dançou com o Diabo mais recusa. É nesse momento que a suposta ingenuidade do filme se transforma, então, na sua afirmação mais contundente. Há, nesse procedimento, um elogio e um impasse. Comecemos pelo elogio. A Moça que Dançou com o…